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Muras ofertam frutos da terra na celebração da colheita.

 

Produtores agrícolas e artífices da transformação de culturas e de artigos da floresta, um grupo de indígenas da etnia Mura estão instalado na área de Novo Remanso, no ramal Fortaleza e, sem abdicar de suas culturas, idioma e crenças, se adaptaram no sistema de cultivo de fruticultura e abriram corredores de comercialização dentro de uma metodologia própria, onde adicionando traços indígenas e forma associativista de conviver.

O primeiro produto de transformação é a mandioca em todos os subprodutos tradicionais como a farinha, a goma, farinha de tapioca e as comidas de consumo imediato, porém todas com forma e ingredientes especiais que dão o toque de fascinação indígena.

Os Muras, já com associação organizada, tendo a frente a índia Adilia Roque criou uma plataforma própria de exposição e venda na Feira do Abacaxi e foi deles a iniciativa de, no culto ecumênico do dia 1 de agosto, durante a celebração de agradecimento pela colheita, oferecer, numa bandeja de cipó os produtos da terra, desde a mandioca, goma, goiabas, laranjas, tangerinas e, logicamente, o abacaxi, num ritual próprio com a participação de várias gerações indígenas.

A área dos Muras/Fortaleza, em alusão ao ramal quer os conduz por terra é banhada pelo rio Urubu, onde a navegação é continua, mesmo na descida das água, mantendo condições de navegabilidade permanente e um processo de união de todos os integrantes da etnia que vivem de espaços distantes.

O que ficou de lição dos Muras foi a integração econômica pela agricultura, buscando tecnologia e, sempre com a declaração e proteção de seus rituais e crenças, criar uma estrutura econômica nos moldes convencionais, colocando suas habilidades no mercado e brigando por abertura nos corredores comerciais.